A definição de luxo costuma passar por “aquilo que é difícil de ser conquistado”, ideologicamente. Traduzindo isso em ícones e imagens, entretanto, a visão de cada um é muito diferente: de umas horas a mais de sono a um final de semana viajando, passando por bacon extra no hambúrguer e pelo carro do ano. Na moda, costuma estar associado a essas grandes maisons, a bolsas caras e relógios mais caros ainda, tudo isso numa aura de refinamento, bem Breakfast at Tiffany’s. E é daí que vem o tilt.

Correndo pela tangente, veio o pessoal do streetwear, com uma estética que subverte o que se entende por luxuoso até então. Ué, mas cadê a alfaiataria impecável? Cadê os bordados feitos à mão com fios do algodão colhido por monjas surdas que habitam a encosta do Himalaia? Desde quando malha custa TANTO? Mas não custa. Aliás, pode ter uma fabricação tão barata quanto as outras malhas vendidas no shopping. Mas isso não quer dizer que os preços cobrados estejam errados. É mérito da construção de marca.

E dentre tantas dessas marcas, destaca-se ele, Virgil Abloh. Fundador da controversa Off-White, colocou lacres nos pés do povo e uma faixa amarela na cintura. E uma galera achou o máximo. E não necessariamente é bonito, mas é provocador, ousado e sacudiu a estética do luxo. Chacoalhou tanto que agora ocupa o cargo de diretor criativo da Louis Vuitton Men, outrora reduto daquela imagem dos ternos manjada.

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Virgil e algumas das suas criações para a sua marca principal, assim como parcerias com a Nike e a Jimmy Choo

Dia 21 do último mês foi o seu primeiro desfile para a marca francesa, com um conceito que buscava representar a fragmentação cromática através de um prisma e também trouxe referências de O Mágico de Oz. A passarela reproduzia um arco-íris e as peças foram tomadas por cores blocadas e pela modelagem mais larga, característica do streetwear. Além das peças de roupa, entretanto, vai a eminência do primeiro diretor criativo negro da LV e a revolução que carrega consigo, seja no sentido de desestigmatizar a moda das ruas para o público tradicional, seja no de aproximar a marca do público jovem, que já admira a sua Off-White.

Abaixo, temos o vídeo-resumo da apresentação. Desfrutem! 😉

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Um dos looks do desfile, apresentado no Palais Royal

Eu, particularmente, estou bem ansiosa para ver o que mais Virgil fará pela LV, tanto na proposta de representatividade quanto pelo rejuvenescimento da casa.

E vocês? O que acham dessa reconfiguração do luxo?

Imagens: Divulgação / Yannis Vlamos / Indigital.t

 

Um comentário em “Louis Vuitton e Virgil Abloh

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